Minha Vida-Kung Fu, por Claudio Teixeira "Moy Kat Jo"

Claudio Ricardo Teixeira "Moy Cat Jo"


Membro Vitalício da Família Moy Jo Lei Ou, ativo desde 2002.





O que representa para você o Sistema Ving Tsun? 
O sistema Ving Tsun representa pra mim um instrumento de transmissão de conceitos e técnicas marciais que através e princípios apoiados na objetividade, eficácia e simplicidade, ampliam a capacidade de adesão às circunstâncias como elas se apresentam desenvolvendo uma progressiva capacidade de propor soluções adequadas de forma dinâmica às variações de cenários. Permitindo ao praticante aplicar as habilidades desenvolvidas através da pratica no cotidiano em todas as áreas da vida.
O que representa para você a Vida-Kung Fu? 
Vida Kung Fu é a maneira mais eficiente de se prover acesso, às naturezas dos domínios do sistema Ving Tsun. Somente o convívio com o Si Fu é capaz de conduzir ao desenvolvimento do Kung Fu com excelência, pela dinâmica relacional que ensina e inspira uma imersão profunda que conduz vida e Kung Fu se tornarem partes indivisíveis do mesmo eu em constante progressão mútua.
O que representa para você a Família-Kung Fu? 
Família Kung Fu é a ambiência relacional perfeita para a prática da Vida Kung Fu. A dinâmica peculiar ao propósito de promover Kung Fu, torna essa relação familiar em torno da diversidade humana. Promovendo o compromisso de legar às gerações futuras toda a riqueza de nosso Sistema Ving Tsun.
Uma experiência de Vida-Kung Fu de seu Si Fu que tenha sido inspiradora para você. 
No último aniversário da matriarca da denominação Moy Yat Ving Tsun, a Si Taai Po Helen Moy, no final do ano de 2016, comemorado em Miami. Durante as comemorações meu Si Fu Julio Camacho e meu Si Gung Leo Imamura tiveram uma reunião que afetou o futuro do nosso Clã de forma promissoramente irreversível. Em função da renomada experiência internacional do meu Si Fu, nessa conversa, o Si Gung expôs seu desejo de investir pesadamente num movimento de internacionalização do Grande Clã Moy Yat Sang, e deixou claro que meu Si Fu seria a pessoa adequada para liderar essa ousada proposta. Assim que retornou de viagem, durante uma explanação sobre a questão entre nossa família, meu Si Fu disse a frase que em essência mais me inspirou nesses último tempos: quando meu Si Fu solicita alguma coisa, imediatamente eu começo buscar como atendê-lo. Dentre desse espírito, refletindo sobre essa colocação, eu me coloquei à disposição de me mudar de país junto com ele, e apoiá-lo nesse movimento na abertura do primeiro Mogun da família Moy Jo Lei Ou no exterior.
Uma experiência de vida de seu Si Fu que tenha sido inspiradora para você. 
No ano passado, em função de um radar de velocidade muito restritivo de velocidade muito baixa para a via onde ele se encontrava num dos trajetos rotineiros do meu Si Fu, ele sofreu várias infrações de trânsito que levaram a suspensão de sua carteira de habilitação. Em razão do complexo processo em torno da tentativa de reverter essa decisão, quando a situação estava dada como perdida, ele reverteu a questão em benefício próprio, mudando para um apartamento próximo ao Mo Gun, e posteriormente se desfazendo do carro. Colocando em prática sua máxima que Kung Fu é a habilidade de extrair benefício legítimo das circunstâncias como elas se apresentam. O Si Fu sempre alerta em razão de não nos tornarmos vítimas das nossas próprias questões. Esse movimento permitiu uma qualidade de convívio com seus To Dai muito mais frequente, e uma proximidade com o Mo Gun muito mais produtiva.
Uma experiência de Vida-Kung Fu, sua com seu Si Fu. 
Em 2015, dois anos após meu Baai Si, minha noção sobre vida Kung Fu progredia gradativamente até que fui convidado para fazer parte da comitiva que viajaria para New York e Philadelphia para ocasião do aniversário da Si Taai Po Helen Moy, e Cerimônia titulação à Metre Sênior do meu Si Fu. A viagem em si como um todo foi uma experiencia significativa que ressignificou toda minha minha noção e ações em torno da minha presença e participação na Família Jo Lei Ou. Eu fui para América meio sem saber o que estava indo fazer lá,e retornei sentindo num nível mais profundo qual a natureza da relação Si Fu - Todai, e a minha responsabilidade diante do legado do Sistema Ving Tsun. Dentre inúmeros episódios vividos na comitiva, o ponto alto dessa viagem foi a maneira quase mágica que o Si Fu promoveu a abertura do Domínio Luk Dim Boon Kwan em plena madrugada gelada de Manhattan no alto da High Line.
Reflexão sobre sua relação com seu Si Fu.
Minha relação com meu Si Fu passa por momentos distintos. No início, em dois mil e dois, quando iniciei meu treinamento como mero curioso do que era Kung Fu, dentre mais idas que vindas. Eu o via como um simpático e inteligente mestre de artes marciais. Com o avançar da minha idade sem construir nada à contento pela minha perspectiva no tocante ao Kung Fu, pelos idos de 2008 eu decidi tornar-me uma pessoa mais assídua no Mo Gun, e mesmo com uma frequência ainda bem irregular, comecei me encantar pela capacidade de realização dele em outras áreas que sequer me pareciam tangenciar o Kung Fu. Com o tempo, comecei perceber o quanto de Kung Fu ele usava nesses outros projetos, e comecei vislumbrar a possibilidade de me aprimorar no desenvolvimento da arte, em função de refinar-me, a princípio mais preocupado com questões de ordem prática, e posteriormente, num nível mais profundo. Com isso comecei perceber que a prática marcial em si, era apenas a ponta do Iceberg de tudo que o Ving Tsun Kung Fu tinha à me oferecer, e que esse potencial todo só me seria acessível através da Vida Kung Fu. Nesse momento, já convidado para o Baai Si, cheguei desmarcar uma cerimônia, e quando efetivamente a cumpri, pude perceber o quanto o simbolismo por de trás do evento era capaz de promover naturalmente essa conexão que aprofunda a relação de um discípulo. Passei estar mais com meu Si Fu, extrair mais cada conhecimento de seu vasto repertório de experiências e estudos, e conhecer o lado humano de um grande mestre de artes marciais. Hoje sem sombra de dúvidas, consigo traduzir mais em atitudes que em palavras todo o significado dessa relação, e compreender que o mais potencial em torno de nossa missão na preservação do Legado do sistema Ving Tusn em honra aos nossos antepassados, está justamente em por fim nos desenvolvermos como humanos mais competentes na arte de promover nossos próprios valores.


Claudio Teixeira  tem 43 anos, é Discípulo de Primeira Geração de Mestre Julio Camacho e Empresário.